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Resposta direta: A virada do segundo turno foi lida como "adeus ao ajuste fiscal", e o preço veio em tudo ao mesmo tempo: bolsa, câmbio, juros e FIIs.
A reeleição de Lula (PT), com 51,79% dos votos no domingo (25/10), surpreendeu e desagradou o mercado. Ontem (26/10), o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, segundo o InfoMoney, uma das maiores quedas da história. A maior da série continua sendo a de 10/09/1998, de 15,83%, durante a crise financeira russa. No meio do pregão a situação era pior: o Valor registrou recuo de mais de 16%.
A B3 acionou o circuit breaker quando a queda chegou a 10%, e os negócios ficaram parados por 30 minutos. Pelas regras do mecanismo, uma nova interrupção, de uma hora, deveria ter vindo aos 15%. Ela não veio e os negócios seguiram normalmente. O Valor procurou a B3 e aguardava uma explicação. A B3 também ampliou de 10% para 15% o limite de queda do Ibovespa futuro e do mini-Ibovespa futuro, em todos os vencimentos, em medida válida só para ontem (26/10).
O estrago foi seletivo e brutal nas ações mais sensíveis a juros. Nove ações do Ibovespa recuaram mais de 40% na sessão, entre elas varejistas e imobiliárias. A Magazine Luiza cedeu 58,23%, a maior queda diária desde julho de 1994, segundo o Valor Data. Cyrela, MRV e outras construtoras caíram até 40%. Os FIIs caíram até 17%, e o Ifix perdeu 8%. O TGAR11 liderou as perdas e devolveu quase todo o ganho obtido entre o primeiro e o segundo turno.
Para o BTG, a vitória de Lula pode tirar 17% do Ibovespa e encarecer o dólar em até 15%, com juro real longo acima de 8% e freio nos cortes da Selic. Exportadoras e empresas com caixa seriam a proteção. A Asset1 foi na mesma linha: sem ajuste fiscal no radar, o dólar embute prêmio de risco e disparou perto de 10% ante o real. Para o gestor André Shiokawa, níveis de R$ 5,60 a R$ 5,70 podem não bastar para sensibilizar a classe política. Daí a tese de que o dólar poderia testar R$ 7.
Para o investidor brasileiro: o ativo que sofreu foi o que depende de juro baixo (varejo, construção, FIIs de papel e de tijolo). Quem tem renda variável doméstica está no centro do furacão, e quem tem receita em dólar está relativamente protegido. A Suzano, por exemplo, limitou as perdas em Nova York enquanto bancos, petroleiras e fintechs brasileiros registraram quedas de dois dígitos nos ADRs. O que acompanhar hoje (27/10): a escolha do ministro da Fazenda, o Orçamento de 2027 e a relação do governo com o Congresso, pontos que a Goldman citou como centrais para os ativos brasileiros.
Esta análise faz parte do resumo do mercado de 26/10/2026, com o giro do dia e todas as fontes.
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