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Resposta direta: Ontem (11/08) o mercado brasileiro teve um daqueles dias em que os fundamentos e a política brigaram na mesma manchete — e a política venceu. O IPCA de julho veio fraco, com deflação de alimentos, abrindo espaço teórico para mais alívio monetário após o corte que levou a Selic a 14%. Mas o J.P. Mor…
Ontem (11/08) o mercado brasileiro teve um daqueles dias em que os fundamentos e a política brigaram na mesma manchete — e a política venceu. O IPCA de julho veio fraco, com deflação de alimentos, abrindo espaço teórico para mais alívio monetário após o corte que levou a Selic a 14%. Mas o J.P. Morgan rebaixou a recomendação do Brasil para neutra citando piora macro e calendário eleitoral, o Ibovespa devolveu 2,5% e o dólar saltou quase 1%, para perto de R$ 5,16. O mercado está precificando outubro (1º turno em 04/10) antes de precificar a inflação.
A boa de hoje
- Ibovespa apanha, dólar dispara: JP Morgan rebaixa o Brasil e o 'trade eleitoral' toma conta do pregão
- Selic a 14%, IPCA capenga: Inflação de julho sobe só 0,07%, mas a composição é o verdadeiro recado
- Temporada de balanços: B3 e Cury mandam bem, JBS entra no vermelho e Oi trava de novo
- Wall Street aposta US$ 500 bi na Nvidia: O maior financiamento de infraestrutura de IA já anunciado
- Corrida ao Planalto esquenta: Datas do 1º e 2º turno confirmadas, Lula folgado nas pesquisas nacionais
Resultados do mercado
- Ibovespa (-2,5%): Perdeu os 171 mil pontos; maior queda diária desde março. Rebaixamento do J.P. Morgan e ruído eleitoral pesaram.
- Dólar (quase +1%): Encostou em R$ 5,16 com saída de capital estrangeiro e aversão a risco eleitoral.
- Selic: Cortada em 0,25 p.p. na semana anterior, levando a taxa para 14% ao ano. J.P. Morgan projeta mais um corte de 0,25 p.p. em setembro e depois pausa longa.
- IPCA (0,07%): Inflação de julho subiu 0,07%, a menor desde agosto de 2025. Alimentação e bebidas tiveram deflação de 0,67%, enquanto energia elétrica pressionou para cima.
- Nvidia (-2,85%): Ações caíram cerca de 2,85% após anúncio do consórcio de Wall Street para financiar US$ 500 bi em infraestrutura de IA.
- S&P 500: Índice americano mencionado apenas genericamente; cotação diária não disponível por falha de webhook.
- Nasdaq: Índice americano mencionado apenas genericamente; cotação diária não disponível por falha de webhook.
- Dow Jones: Índice americano mencionado apenas genericamente; cotação diária não disponível por falha de webhook.
Ibovespa apanha, dólar dispara: o 'trade eleitoral' tomou o pregão
Mercado Brasil
O dia começou pesado e terminou pior. O Ibovespa despencou 2,5% e perdeu os 171 mil pontos, enquanto o dólar saltou quase 1%, encostando em R$ 5,16. O gatilho principal foi o J.P. Morgan, que rebaixou a recomendação de investimento no Brasil de 'overweight' para neutra, citando piora do cenário macroeconômico. O banco projeta mais um corte de 0,25 p.p. na Selic em setembro, seguido de pausa longa até o 2º tri de 2027. O aumento da distância entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas reforçou o 'trade eleitoral'. Juros futuros fecharam em alta firme. Estrangeiros retiraram R$ 2,6 bi da B3 em 7 de agosto, levando o saldo negativo do mês a R$ 5,5 bi, embora o saldo do ano permaneça positivo em R$ 30,8 bi.
Selic a 14%, mas o IPCA prega peça: deflação de alimentos esconde alta de energia
Macro Brasil
O IPCA de julho veio a 0,07%, a menor variação desde agosto de 2025. Alimentação e bebidas caíram 0,67% (deflação mais intensa desde julho de 2024), puxada também pela queda nos combustíveis, enquanto a energia elétrica pressionou para cima. No mesmo dia, o Banco Central publicou a ata do Copom que justificou o corte de 0,25 p.p. que levou a Selic a 14% ao ano. A leitura prática: desinflação de alimentos indica demanda fraca, coerente com alertas de desaceleração; a ata reforçou cautela com o ritmo de novos cortes. A dívida pública brasileira soma 77,2% do PIB (dado de abril), superando o crédito privado (75,7%) pela primeira vez na série.
Temporada de balanços: B3 e Cury mandam bem, JBS entra no vermelho e Oi trava de novo
Empresas
B3 (B3SA3) teve lucro líquido atribuído de R$ 1,69 bi, alta de 28% ante 2T25; em termos recorrentes, avanço de 8% para R$ 1,4 bi, em linha com o consenso. Cury (CURY3) reportou lucro de R$ 311 mi (+16,5%) com receita líquida de R$ 1,7 bi (+25,5% a.a.) e aprovou R$ 190 mi em dividendos. Caixa Seguridade teve lucro de R$ 1,14 bi no 2T26 (+9,5%). JBS reportou prejuízo de US$ 102 mi no trimestre e confirmou que Wesley Batista Filho assumirá o comando global em janeiro de 2027. Oi adiou novamente a divulgação de quatro balanços trimestrais. Motiva registrou alta de 32,1% no tráfego de veículos em julho. BTG Pactual reportou alta de 22,6% no lucro.
Wall Street aposta US$ 500 bi na Nvidia: o maior financiamento de infraestrutura de IA já anunciado
Macro Global
Um consórcio reunindo Apollo Global, Blackstone, BlackRock, Brookfield, Goldman Sachs e KKR se uniu à Nvidia para estruturar um financiamento de US$ 500 bilhões destinado à expansão de infraestrutura de IA. Apesar do anúncio, as ações da Nvidia caíram cerca de 2,85% — o mercado pode estar lendo o movimento como sinal de apetite voraz (e custoso) por capital. O esforço visa sustentar montagem de chips, geração de energia e data centers. O déficit comercial dos EUA cresceu pelo quarto mês consecutivo, parcialmente puxado por investimentos bilionários em IA de gigantes como Alphabet, Meta, Microsoft, Amazon e Oracle.
Corrida ao Planalto esquenta: datas confirmadas, Lula folgado nas pesquisas nacionais
Geopolítica / Política
Eleições de 2026 têm 1º turno em 4 de outubro. Pesquisa CNT/MDA (2.002 eleitores, 5-9 de agosto) mostra Lula com 42% contra 28% de Flávio Bolsonaro. Na Bahia, pesquisa Real Time Big Data mostra empate técnico entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues para governador; Rui Costa e Jaques Wagner lideram para o Senado. O primeiro ato de campanha de Flávio Bolsonaro será em 16/08 em Copacabana; Lula lança campanha de reeleição no mesmo dia em São Bernardo do Campo. A combinação entre distância nas pesquisas e rebaixamento do J.P. Morgan pesou sobre Ibovespa e dólar.
Snapshot do dia
Ibovespa: -2,5% | Dólar: quase +1%, perto de R$ 5,16 A maior queda diária do Ibovespa desde março combinou rebaixamento de recomendação por um banco global (J.P. Morgan) e ruído eleitoral a menos de dois meses do primeiro turno. Quando os dois se somam, o 'prêmio Brasil' derrete rápido.
Giro pelo mercado
Brasil
- ITSA4: Itaúsa vai pagar R$ 2,8 bilhões em proventos no dia 28, com base nas posições acionárias de 19 de março e 18 de junho.
- UME: Fintech Ume captou R$ 500 milhões via FIDCs, com forte demanda de instituições como Itaú, Bradesco e XP (Augme).
- ALLIANCA: Alliança teve deferido pela Justiça de SP o pedido de recuperação extrajudicial, mais um nome do setor de saúde/varejo em reestruturação.
Exterior
- OPENAI: Concluiu recompra de ações de US$ 7 bilhões às vésperas de um possível IPO; executivo Brad Lightcap anunciou saída.
- TSLA: Vendas no varejo caíram 32% na China em julho; Tesla também recolheu 20 mil carros nos EUA por faróis excessivamente brilhantes.
- GOOGL: O Gemini atingiu 1 bilhão de usuários mensais, tornando-se o produto de crescimento mais rápido da história do Google, com 63% dos usuários interagindo com o assistente.
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