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Radar Econômico 25 de abril de 2026

Voltar para Publicações 25 de abril de 2026 | Finanças · Economia · Investimentos · Política 1. Guerra no Oriente Médio: o risco que o Brasil ainda subestima Petróleo a US$ 100, inflação em alerta e governo correndo atrás do prejuízo. O barril de petróleo voltou à marca de US$ 100 nas últimas semanas, impulsionado pela escalada do conflito no Irã e no Oriente Médio. O efeito no Brasil não é hipotético: é imediato e mensurável. O Instituto Fiscal Independente (IFI) colocou os números na mesa: o conflito pode adicionar até +1 ponto percentual ao IPCA em 2026, pressionando uma inflação que o mercado já revisou para 4,8% ao ano — acima do teto da meta. O custo da parafina industrial subiu 40% em março. Setores que dependem de derivados de petróleo como matéria-prima já sentem a virada. A resposta do governo foi política e simbólica: avalia elevar o teor de etanol na gasolina de 30% para 32% já em maio. É uma medida válida, mas insuficiente para neutralizar um choque de oferta global. Para o investidor: a pressão inflacionária adiante desloca o calendário de cortes da Selic. Quem apostava em queda rápida dos juros precisa revisar a tese. Posições em ativos indexados ao IPCA (NTN-B, CRI, CRA) ganham relevância estrutural nesse cenário. 2. Dólar abaixo de R$ 5 e Ibovespa no recorde — mas a festa durou pouco Os mercados brasileiros viveram em abril um pico histórico seguido de duas semanas consecutivas de queda. Em 13 de abril, o Ibovespa bateu 198 mil pontos pela primeira vez. O dólar caiu abaixo de R$ 5 — a menor cotação em mais de dois anos. O otimismo foi real, mas de curta duração. Na semana encerrada em 24 de abril, o Ibovespa acumulou queda de 2,55%, encerrando aos 190.745 pontos — a segunda semana seguida no vermelho. O dólar fechou a R$ 4,998. O real acumula valorização de 8,92% frente ao dólar em 2026, o que segura parte do câmbio — mas não elimina a volatilidade. Para o investidor: o movimento de apreciação do real reflete fluxo de capital para emergentes e o diferencial de juros favorável ao Brasil. Não é um sinal de solidez fiscal. A volatilidade dos últimos dias é o comportamento padrão de um ativo que depende de humor externo. 3. Selic em 14,75% e o paradoxo do Brasil que cresce com juros altos O Banco Central cortou. O mercado já espera menos cortes. Entenda o que mudou. Em março de 2026, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,75% ao ano — o início de um ciclo de afrouxamento aguardado há meses. O problema: o ciclo já nasce mais tímido do que o esperado. Com a pressão inflacionária do petróleo, o mercado revisou as projeções. O Boletim Focus aponta Selic de 13% ao final de 2026. A ANBIMA projeta 12,5%. A diferença parece pequena; o impacto nos portfólios não é. O paradoxo fiscal fica mais evidente em ano eleitoral: o governo expande gastos para estimular consumo — enquanto o Banco Central precisa manter juros elevados para conter a inflação gerada por esse mesmo estímulo. O resultado é uma economia que cresce modestamente (PIB projetado em 1,86% para 2026) com custo de capital ainda proibitivo para empresas e famílias. O choque fiscal pós-eleitoral é praticamente inevitável. O UBS já alertou: sem reformas estruturais, a dívida pública pode superar 100% do PIB nos próximos anos. Para o investidor: a renda fixa longa indexada à inflação segue atrativa. A queda dos juros, quando vier, beneficia ações de empresas com dívida longa e baixa alavancagem — FIIs, utilities, concessões. Mas o timing importa. 4. Renda fixa mais que dobra em captação — e a renda variável espera a vez Em 2026, o dinheiro está na renda fixa. A pergunta é: por quanto tempo? Os fundos de renda fixa captaram R$ 130,3 bilhões líquidos no primeiro trimestre de 2026 — mais que o dobro do mesmo período em 2025. Com a Selic a 14,75%, o raciocínio é simples: por que correr risco se o CDI paga bem e protege o capital? Mas o cenário começa a mudar na margem. A carteira Top 10 do Banco Safra acumula alta de 18,57% em 2026 até março, contra 16,35% do Ibovespa no período. O ano eleitoral adiciona uma camada de complexidade — a volatilidade do segundo semestre será significativamente maior que a do primeiro. Para o investidor: renda fixa ainda domina em retorno ajustado ao risco. Mas quem tem horizonte de 24 a 36 meses e tolerância à volatilidade já deveria estar construindo exposição gradual à bolsa — especialmente em setores defensivos e empresas com geração de caixa previsível. Síntese Executiva — O que importa essa semana Tema Dado Chave Impacto Petróleo / Oriente Médio US$ 100/barril Inflação +1pp; Selic mais alta por mais tempo Câmbio Dólar a R$ 4,998 Real valorizado 8,92% no ano; volatilidade persiste Ibovespa 190.745 pts (-2,55% na semana) Segunda semana negativa; recorde em 198k ficou para trás Selic 14,75% a.a. Cortes virão, mas mais devagar que o esperado IPCA 4,8% projetado Acima do teto da meta; pressão pelo petróleo PIB 2026 +1,86% Crescimento moderado em ano eleitoral Fontes: Boletim Focus (Banco Central), Agência Brasil, CNN Brasil, InfoMoney, XP Investimentos, Banco Safra, IFI, ANBIMA, Poder360.
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Equipe Equit
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