Renda Fixa

Selic em 13,75%: Copom pisa no freio e o mercado começa a falar em estagflação

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Resposta direta: Cinco cortes seguidos de 0,25 p.p. ficaram para trás e o pós-eleição fiscal pesou na decisão

O Copom interrompeu anteontem (04/11) o ciclo de queda da Selic e manteve a taxa em 13,75% ao ano, após cinco cortes seguidos de 0,25 ponto percentual. Foi a primeira decisão do colegiado depois da reeleição de Lula, que, segundo o Valor, elevou as incertezas fiscais e provocou alta do dólar e dos juros futuros. A manutenção veio em linha com o esperado, então a reação dependia do comunicado. E aí a leitura foi de um tom menos conservador do que se temia: ontem (05/11) os juros futuros tiveram queda firme, com retirada de prêmios de uma possível alta na parte curta da curva, enquanto o dólar chegou a subir no início do pregão, devolvendo parte do alívio da véspera (queda de 0,64% em 04/11).

O problema está no que vem depois. O Itaú BBA reduziu a projeção de PIB de 2027 de 1,2% para 0,5%, projeta inflação acima de 6% e descartou cortes de juros. O Safra vê risco de recessão em 2027 e rebaixou recomendações de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, citando juros altos, desaceleração do crédito e maior inadimplência. Para o Valor, o dilema do Copom "escancara risco de estagflação": inflação alta, juros elevados e crescimento fraco. Economistas ouvidos pela Exame projetam Selic em 13,75% até o fim do ano. Caruso, do Santander, avalia que a barra para novos cortes agora parece alta.

A conta já aparece na economia real: a produção industrial teve a quinta queda consecutiva, puxada por bens de capital, e o IBGE disse que o juro alto "pode até ser a principal influência" do resultado negativo. Já o Tesouro Direto sobe de taxa pós-Copom, com Tesouro IPCA+ pagando até 7,92% de juro real.

No Planalto, o tom foi de defesa fiscal: Lula convocou economistas para uma reunião, confirmada pelo ministro Dario Durigan, e disse que o governo precisa de "economia arrumada" para atrair investimentos. Os ativos locais reagiram com alguma retirada de prêmio de risco. Aliados de Lula, por outro lado, criticaram o Copom, e o economista André Lara Resende defendeu levar a Selic a cerca de 7,5% em 12 meses (negando que seja tabelamento).

Para o investidor brasileiro: renda fixa pós-fixada segue confortável, e as taxas longas do Tesouro IPCA+ ficaram mais atrativas, mas com risco de marcação a mercado se o fiscal desandar. Bancos entram no radar de rebaixamentos. O que acompanhar: os sinais da equipe econômica sobre ajuste fiscal nas próximas semanas e o IPCA.

Esta análise faz parte do resumo do mercado de 05/11/2026, com o giro do dia e todas as fontes.

EQ
Equit Capital
Assessoria de investimentos · Safra Invest

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